3ª União Mística

  • Assessoria
  • 23/09/2018

Berenice Bellato foi convidada para ser madrinha da 3ª Edição da União Mística do Rio de Janeiro e estará presente no dia 23 de setembro de 2018.

A União Mística é um evento que tem como objetivos:

  • Promover a diversidade cultura
  • Promover a diversidade religiosa
  • Promover a paz mundial
  • Promover o respeito mútuo

Todos contra a intolerância religiosa!

Diversas religiões presentes, um grande show com teatro, músicas, danças, apresentações de toque de instrumentos, apresentações de canto, mesa de previsões, oraculistas, expositores, rituais e muito mais!

A Arquitetura da Ascensão – Continuação (Cap. 1.12)

Íamos para a casa dele. Comigo eu levava dois ou três irmãos. Sentávamos na sala de sua casa assistindo o Golias, Gordo (Jô Soares), Família Trapo e até a Hebe Camargo. As vezes sintonizavam o canal “X” sempre branco e preto com muito chuvisco nas apresentações dos programas do Ayrton e da Lolita Rodrigues, Juca Chaves um “pecador” da época, censuradíssimo. Todos os ricos viam novelas e programas de TV. Assim que o exército de “velas”, irmãos e sogros estivessem distraídos com os programas e bem-humorados, eu e o “JFB” íamos para a sala vizinha estudar ao piano. Lógico que com o som do instrumento seria necessário fechar a porta. Neste caso eu e ele ficávamos a sós e não podíamos passar cinco minutos quietos, sem tocar. Caso ocorresse uma pausa meu futuro sogro ou sogra, levavam cafezinho, bolachinhas, sucos, inspecionando-nos, afinal eu estava intacta, virgem. Evidentemente meu namorado muito astuto comprou partituras a 4 mãos. Tocávamos a Rapsódia Húngara, Guarany, Valsas Vienenses, estudávamos de tudo. Um repertório grande e sempre a 4 mãos. Minha futura sogra amava cantar. Cantava muito bem as músicas italianas. Tocávamos e ela cantava. Com certeza ela muito perspicaz via o resultado positivo de nossos estudos. Ficava muito feliz. Afinal o seu filho tinha uma namorada de boa família, conhecia música e séria.

A Arquitetura da Ascensão – Continuação (Cap. 1.11)

Com muita tristeza encerrei as minhas idas aos cultos. O tempo faz com que busquemos outros conhecimentos. Enquanto meu pai chorou e implorou a minha volta aos cultos, meu namorado achou que eu tinha direito de escolher o que me fizesse feliz. Com a demonstração de minha fraqueza ou fé, o sonho do meu pai estava se acabando. Seu filho com promessa de estudar teologia, dedicou-se às artes plásticas e á carreira de escritor. A esperança depositada em mim como missionária também estava indo “água abaixo”. O semblante do meu pai se tornou apático. Um homem que carregava Deus na sua vida. Intensamente! Sua fé inabalável, seu esforço focado na educação de seus oito filhos não merecia tantas decepções.

A Arquitetura da Ascensão – Continuação (Cap. 1.10)

Com quinze anos estava namorando um jovem pianista. Ele estava terminando o último ano de música no Conservatório Dramático e Musical. Coincidentemente com a mesma professora de piano que me ensinou o ABC. Jovem bonito, com costeletas enormes, cabelos compridos, perfumado, bem-vestido, filho único e de família tradicional na cidade.

A Arquitetura da Ascensão – Continuação (Cap. 1.8)

Daquele dia em diante as minhas decepções com a Igreja foram grandes. Como qualquer adolescente eu também precisava de atenção e respostas às minhas perguntas. Num sábado à tarde o pastor muito bem acompanhado com alguns paroquianos viera nos visitar. Como sempre, carregavam a Bíblia e o hinário evangélico. Arrepiava-me só de vê-los. Pensava comigo sobre as suas boas intenções fazendo um culto em casa. Eu estava bem chateada de ficar ouvindo as leituras bíblicas. Histórias longínquas. Necessitava de explicações claras e precisas tirando as minhas dúvidas, compreensão da vida e morte, falas mais concretas sobre Deus, as passagens de Jesus e a sua “mágica” de dividir os pães. Meu espírito revolucionário não suportava mais a repetição daquelas passagens bíblicas não contemporizadas naquele momento. As necessidades do meu Eu gritavam!

A Arquitetura da Ascensão – Continuação (Cap. 1.7)

No dia seguinte meu pai já estava se preparando para ir ao trabalho. Eu não me sentia bem. O corpo estava mole, relaxado demais. Uma sonolência absurda!

Tive uma visão nítida com luzes, raios, como se todos os trovões estivessem ecoando na terra. Minha vista opaca foi se apagando e nada mais pude ver.

Você precisa acordar! Não venha deste lado. Aqui não é o seu lugar. Volte para o seu corpo.

Ouvia uma voz com tom tranquilo falando dentro do meu Ser.

Onde estou? — Perguntei.

Volte! Não é o seu tempo…

Dirigia-me para um túnel escuro e só no final refletia tênue luz branca.

A Arquitetura da Ascensão – Continuação (Cap. 1.6)

Estava ficando mocinha. Conhecia a pobreza e a etiqueta da alta sociedade justamente por frequentar (como bolsista) um colégio de elite. Minha Igreja e o Colégio Metodista mantinham uma educação tradicional e rígida. Aprendi dessa maneira a me comportar socialmente. Meus pais exigiam de seus filhos a obediência, respeito, disciplina e estudo. Eles tinham poucos recursos financeiros, prestavam-se ricamente na educação e compreensão de seus filhos, além de respeitar os limites de aprendizado de cada um. Fomos estimulados a estudar línguas e observar as artes. Oportunidades tivemos! Convivíamos com tios músicos e artistas plásticos. Herdamos alguns destes talentos. Meus irmãos não deixaram de mostrar seus dons como pintores e escultores. Uma família dotada, voltada a ética, honestidade, responsabilidade e o senso da justiça e amorosidade.

A Arquitetura da Ascensão – Continuação (Cap. 1.5)

A vida nos traz muitas surpresas e somos um pacote perfeito para ela. Minha imaginação criativa sempre foi a de uma contadora de histórias infantis. Um poder imenso de dividir com as crianças papéis para serem decorados e fazer montagens com peças de teatro. Fui a pessoa mais mágica quando se tratava de escrever poesias, histórias e falar sobre Deus. Minha irmã X, amiga fiel, sempre esteve ao meu lado me ajudando. Envolvia-me em vários segmentos artísticos. Escrevia textos para as peças do nosso teatrinho infantil e ensaiava as crianças. Roteiro e música. Como eu e as demais crianças não tínhamos conhecimentos de que na vida adulta, cada profissional da área de teatro focava seu trabalho num setor, não dividíamos as tarefas. Fazíamos em conjunto. Toda a equipe ajudava no roteiro da peça, produção, figurino, cenário e direção. Convidávamos os vizinhos para comprar os ingressos para assistirem as nossas peças. Contávamos antecipadamente o lucro que teríamos. A ideia e o desejo de ter dinheiro para comprar balinhas de mel, chicletes e pirulitos era um sonho bom demais para ser verdade.